A taxa do visto H-1B de US$ 100 mil foi criada para conter a contratação de profissionais estrangeiros nos Estados Unidos. Nove meses depois, os dados mostram o contrário entre os laboratórios de IA: em vez de recuar, OpenAI, Anthropic e Nvidia seguem disputando talento — e algumas das empresas mais bem financiadas até ampliaram as contratações. O movimento contraria a intenção da política e expõe como o acesso a capital redesenha as regras do jogo na disputa por talento.
Segundo levantamento de dados de imigração relatado pela Yahoo Finance, no primeiro semestre de 2026 a OpenAI absorveu 126 transferências de H-1B vindas de outras empresas e a Anthropic, 48. Databricks (89) e Rippling (54) aparecem na mesma lista.
Por que a taxa do visto não freou as contratações
Um detalhe técnico explica o efeito. A taxa do visto de US$ 100 mil incide apenas sobre aprovações de primeira vez — não sobre transferências de H-1B entre empresas. Resultado: em vez de pagar, as companhias passaram a contratar quem já tem o visto em outra empresa.
"Não tive nenhum cliente que pagasse a taxa até agora", afirmou Maxine Bayley, sócia da Duane Morris, ao explicar que os clientes pivotaram para transferências. Nas aprovações de primeira vez, o movimento é desigual: a OpenAI registrou 27 no primeiro semestre de 2026, superando as 21 de todo o ano de 2025, enquanto a Anthropic, que patrocinou 25 vistos em 2025, fez apenas 1 em 2026.
Para Jody Thelander, da J. Thelander Consulting, "existe correlação entre o capital disponível e as contratações" — ou seja, quem tem caixa contorna a barreira e quem não tem fica de fora.
Por que isso importa para o seu negócio
A taxa do visto parece um assunto distante de quem empreende no Brasil, mas o sinal é claro: o custo de acesso a talento de ponta em IA está subindo, e isso se concentra nas mãos de poucas empresas com muito capital. Quando os melhores pesquisadores se aglomeram em meia dúzia de laboratórios, a inovação tende a sair primeiro de lá — e o resto do mercado consome o que essas empresas lançam.
Para o pequeno negócio, a lição prática é depender menos de contratar um especialista raro e mais de usar bem as ferramentas que esses laboratórios colocam no mercado. A guerra por talento é deles; o acesso à tecnologia, cada vez mais, é de todos.
Conteúdo reescrito e traduzido para PT pela redação luiscortex, revisado por humano.
Fonte: Yahoo Finance





