Se o CEO da Nvidia, Jensen Huang, tivesse que escolher uma empresa para apoiar na corrida da inteligência artificial, ele escolheria a própria corrida. Em 2026, a Nvidia ultrapassou US$ 40 bilhões em investimentos em laboratórios de IA enquanto continua vendendo chips para todos eles.

Em entrevista ao podcast Dwarkesh, Huang explicou: "Há tantas empresas incríveis de modelos de fundação, e tentamos investir em todas elas. Não escolhemos vencedores. Precisamos apoiar a todos."

A posição mais invejável da corrida

Enquanto OpenAI e Anthropic disputam clientes, talento e a data do próprio IPO, a Nvidia lucra com as duas como fornecedora de chips, investidora e, em breve, acionista indireta de duas das maiores ofertas públicas da história.

O maior cheque foi de US$ 30 bilhões para a OpenAI. A Anthropic recebeu cerca de US$ 10 bilhões, segundo dados de mercado.

O ciclo que se retroalimenta

A lógica é circular — e deliberadamente assim. A Nvidia investe nos laboratórios; os laboratórios usam o dinheiro para comprar mais capacidade computacional; essa capacidade é fornecida pela Nvidia. O analista Matthew Bryson, da Wedbush Securities, chamou o modelo de "tema de investimento circular".

O erro que Huang admitiu

Huang admitiu no podcast que a Nvidia perdeu a janela inicial de investimento na OpenAI e na Anthropic — e que isso foi um erro. Os primeiros a entrar ganharam não só retorno financeiro, mas influência sobre decisões de infraestrutura e compromissos de longo prazo de compra de capacidade.

O precedente da Intel

O precedente mais próximo é a Intel. Em setembro de 2025, a Nvidia investiu US$ 5 bilhões na empresa. Em poucos meses, com a ação da Intel subindo mais de 200%, a posição passou a valer mais de US$ 25 bilhões. A posição da Nvidia na OpenAI é seis vezes maior; na Anthropic, duas vezes maior.

Por que isso importa para o seu negócio

A infraestrutura que sustenta a IA que você usa está concentrada em pouquíssimos players, e as participações cruzadas (Microsoft na OpenAI, Amazon na Anthropic, Nvidia em quase todas) preocupam reguladores nos EUA e na Europa, com investigações formais esperadas para o início de 2027.

Para quem opera, a leitura prática é simples: entenda de qual cadeia de fornecedores a sua operação depende. Concentração traz estabilidade no curto prazo, mas também risco regulatório e de preço no médio prazo.


Conteúdo reescrito e traduzido para PT pela redação luiscortex, revisado por humano.

Fonte: Exame