O orçamento anual de IA da Uber para 2026 acabou em abril. Quatro meses depois de virar o ano. O motivo: a adoção massiva do Claude Code entre os 5.000 engenheiros da empresa transformou o custo de IA de uma linha controlada do orçamento em uma variável fora de controle. O episódio levou o próprio COO a questionar publicamente se o retorno justifica o investimento.

Como o custo de IA explodiu na Uber

No final de 2025, a Uber incentivou ativamente a adoção de ferramentas de IA criando um sistema de leaderboard que ranqueava times pelo nível de uso. A estratégia funcionou além do esperado: o uso do Claude Code saltou de 32% dos engenheiros em fevereiro para 84% em março de 2026 — uma adoção que transformou o custo de IA em emergência financeira.

O custo de IA por engenheiro chegou a US$ 500 a US$ 2.000 por mês, dependendo do nível de uso. Com 5.000 engenheiros na folha, os números escalam rapidamente. A empresa teve que fazer trade-offs explícitos entre manter o nível de tokens e conter headcount.

No primeiro trimestre de 2026, a Uber gastou US$ 951 milhões em P&D — alta de 17% em relação ao mesmo período de 2025. A IA agêntica é parte crescente desse número.

O COO questiona o ROI — e o CEO discorda

O presidente e COO da Uber, Andrew Macdonald, foi público sobre suas dúvidas em podcast: "Essa conexão ainda não está lá. É muito difícil traçar uma linha entre uma estatística de uso e, 'OK, agora estamos produzindo 25% mais features úteis para o consumidor'."

Macdonald foi direto sobre o dilema central: se a empresa não consegue traçar uma linha clara entre o custo de IA e a entrega de valor ao usuário final, o trade-off se torna difícil de justificar.

O CEO Dara Khosrowshahi adotou tom mais otimista: "Estamos vendo adoção dessas ferramentas no time jurídico, de marketing, de devs. Acreditamos que está criando funcionários com superpoderes." Ele revelou que 10% do código committed já vem de agentes autônomos — um número que considera significativo.

Por que isso importa para o seu negócio

A Uber não é um caso isolado. A Microsoft também cancelou a maioria das licenças internas do Claude Code em 2026, citando custo excessivo. O Duolingo revisou sua política de adoção irrestrita de IA. O padrão emergente é claro: adoção rápida + billing por token = estouro de orçamento.

O Gartner projeta que os gastos com software de agentes de IA vão chegar a US$ 207 bilhões em 2026 — alta de 139% em relação aos US$ 86,4 bilhões de 2025. Mas também projeta que o custo de inferência cairá 90% até 2030. O problema é que agentes consomem exponencialmente mais tokens por tarefa do que um chat simples.

Para qualquer empresa avaliando ou escalando IA agêntica, três lições práticas saem do caso da Uber:

  1. Estabeleça limites de budget por engenheiro/time antes de abrir acesso irrestrito
  2. Defina métricas de ROI mensuráveis antes da escala — não apenas estatísticas de adoção
  3. Monitore o consumo de tokens por tarefa, não apenas por usuário — agentes encadeados multiplicam o custo de IA de forma não-linear

A pergunta que a Uber faz agora é a mesma que sua empresa vai precisar responder em algum momento: o quanto de produtividade em engenharia justifica um custo de IA mensal de quatro dígitos por pessoa?


Conteúdo reescrito e traduzido para PT pela redação luiscortex, revisado por humano.

Fonte: Fortune