Anthropic entra na corrida por chips de IA próprios
A Anthropic confirmou que está montando uma equipe interna de engenheiros de hardware — o "custom silicon team" — com o objetivo de projetar chips de IA da Anthropic customizados para rodar o Claude com mais eficiência e menor custo.
A estratégia acompanha o movimento dos maiores players do setor: a OpenAI revelou em junho de 2026 o seu chip Jalapeño, desenvolvido em parceria com a Broadcom; o Google DeepMind opera com as TPUs do Alphabet; e a Meta desenvolve os aceleradores MTIA. Agora é a vez da Anthropic montar sua própria equipe de silício.
Para atrair talentos com experiência em design de chips para IA, a empresa está oferecendo salários de até US$ 485 mil anuais — valores que competem com posições de topo em empresas como Intel, Qualcomm e AMD. As vagas pedem experiência em "silício customizado para cargas de trabalho de inferência de IA".
A estratégia de co-design: hardware e software desenvolvidos juntos
O diferencial que a Anthropic busca com os chips de IA da Anthropic não é apenas independência de fornecedores — é o co-design de hardware e software. Ao projetar os chips ao lado dos próprios modelos Claude, a empresa pode otimizar cada aspecto do sistema: largura de banda de memória, precisão numérica, padrões de acesso a dados e fluxo de atenção do transformer.
Essa abordagem é o que permite ao Google, por exemplo, rodar o Gemini com custos de inferência menores do que seria possível em hardware de terceiros. Para a Anthropic, que hoje depende de infraestrutura da AWS, do Google e da Nvidia, ter chips de IA da Anthropic próprios significa controlar o custo de operação à medida que a demanda por Claude cresce.
Segundo reportagem do The Information de julho de 2026, a Samsung já é estudada como potencial parceira de fabricação para os chips de IA da Anthropic. A escolha de fabricante ainda não foi formalizada, mas as conversas estariam em estágio avançado.
A Anthropic deixou claro que os chips customizados formarão parte de uma estratégia multi-chip: a empresa continuará usando processadores e infraestrutura da AWS, Google, Nvidia e AMD simultaneamente ao desenvolver seu silício próprio.
Por que isso importa para o seu negócio
A corrida por chips proprietários entre OpenAI, Anthropic, Google e Meta tem implicações diretas para quem usa ou planeja usar IA no negócio:
1. Custo de uso de IA deve cair: quando as grandes labs rodam em silício otimizado como os chips de IA da Anthropic, o custo de inferência diminui — e parte desse ganho tende a ser repassado via redução de preços das APIs. Para empresas que consomem grandes volumes de tokens, isso pode representar economia significativa nos próximos anos.
2. Latência e desempenho: chips co-projetados para modelos específicos entregam respostas mais rápidas e com maior throughput. Para aplicações críticas — atendimento ao cliente, análise de documentos em tempo real, automação de processos —, isso se traduz em experiência de usuário superior.
3. Estabilidade de fornecimento: a Anthropic depende hoje de Nvidia para suas GPUs, em um mercado onde a demanda por chips de IA é dezenas de vezes maior do que a oferta disponível. Chips próprios reduzem essa dependência e aumentam a previsibilidade operacional.
O mercado global de chips de IA deve ultrapassar US$ 300 bilhões até 2030, segundo estimativas da McKinsey. A Anthropic está se posicionando para competir nessa cadeia — e isso acelera a queda de preço das ferramentas de IA para todos os usuários.
Conteúdo reescrito e traduzido para PT pela redação luiscortex, revisado por humano.
Fonte: TechCrunch





