A campanha russa de desinformação com inteligência artificial entrou em uma nova fase em agosto de 2026: a OpenAI identificou e baniu um cluster de contas de origem russa que usavam o ChatGPT para construir e operar um falso think tank internacional. O relatório da empresa revela como IA foi armada em operações de influência coordenadas em escala industrial.

A infraestrutura por trás da campanha russa de desinformação

O grupo criou o International Burke Institute (IBI), um suposto centro de pesquisa sediado em Israel — mas a organização era inteiramente fictícia. O site foi registrado em fevereiro de 2025 e alegava contar com a participação de especialistas renomados como Francis Fukuyama e Noam Chomsky, misattribuindo artigos a esses nomes.

Em uma amostra de 36 artigos publicados pelo IBI entre setembro de 2025 e maio de 2026, 94% eram cópias diretas de conteúdo extraído de outros sites da internet. Imagens de perfil dos "especialistas" eram geradas por IA, e falhas linguísticas entregaram a origem: textos em inglês continham a palavra svetofor — o equivalente russo de "semáforo" —, indicando tradução automática a partir do eslavo.

Os operadores usavam VPNs para burlar o bloqueio da OpenAI a usuários russos. Os prompts eram redigidos em russo e instruíam explicitamente o ChatGPT a "mascarar qualquer indicador linguístico de origem russa". A eficiência era alarmante: prompts únicos multiplicavam a produção de conteúdo por até 7x, gerando múltiplos rascunhos publicáveis de uma só vez.

O produto central da campanha russa de desinformação era um "índice de soberania" que apresentava a Rússia em posição favorável e atacava França, Alemanha e EUA. O conteúdo era distribuído em cinco plataformas: Substack, Telegram (com logos gerados por IA para canais direcionados a Alemanha, EUA, França, Polônia e Turquia), X, Facebook e LinkedIn.

Por que isso importa para o seu negócio

Mesmo que sua empresa não seja alvo direto de um Estado, a campanha russa de desinformação com IA expõe riscos que afetam qualquer negócio:

Reputação pode ser fabricada e destruída com IA. A operação misattribuiu opiniões a figuras públicas reais. O mesmo pode acontecer com marcas, executivos ou setores inteiros — especialmente em períodos de crise ou debate público sobre seu nicho.

Plataformas respondem apertando as regras. Quando episódios de desinformação ganham repercussão, Facebook, LinkedIn e X costumam restringir automações de conteúdo — e contas legítimas sofrem junto com as maliciosas. Manter histórico de engajamento orgânico reduz esse risco.

O custo da propaganda caiu a quase zero. Com um único prompt gerando múltiplos posts prontos para publicação, a campanha russa de desinformação demonstra que esse tipo de ataque está ao alcance de grupos com recursos mínimos — não apenas de Estados.

A OpenAI classificou a operação no nível mais baixo da Categoria Três da Brookings Breakout Scale — mais significativa pela infraestrutura construída do que pela audiência atingida. Ironicamente, o uso da IA se tornou a própria falha: anomalias linguísticas no conteúdo gerado forneceram as pistas que desfizeram a campanha russa de desinformação.


Conteúdo reescrito e traduzido para PT pela redação luiscortex, revisado por humano.

Fonte: OpenAI Blog