A busca com IA do Google vai mudar no Reino Unido. Em 3 de junho de 2026, a Autoridade de Concorrência e Mercados (CMA), o regulador britânico, determinou que o Google passe a permitir que sites e veículos de notícia bloqueiem o uso de seu conteúdo nos recursos de inteligência artificial da busca — o AI Overviews (os resumos no topo dos resultados) e o Modo IA. É a primeira vez no mundo que editores ganham uma ferramenta eficaz para barrar esse uso.
O que a CMA decidiu
A CMA usou poderes que permitem criar regras especiais para empresas com "status de mercado estratégico". Na prática, o Google terá de oferecer um controle separado: o site continua indexado normalmente na busca tradicional, mas pode optar por ficar de fora da busca com IA do Google. A decisão também exige atribuição adequada, com links claros, nas respostas geradas por IA — um ponto central para quem vive de tráfego.
O peso da medida vem da escala. Cerca de 90% das pesquisas no Reino Unido passam pelo Google, e mais de 200 mil empresas britânicas anunciam na plataforma. Do outro lado, os recursos de IA já são enormes: o AI Overviews soma 2,5 bilhões de usuários ativos por mês e o Modo IA, cerca de 1 bilhão.
A outra ponta: pagar pelo conteúdo
Enquanto reguladores apertam o cerco, as empresas de IA correm para licenciar notícias. A OpenAI vem fechando acordos para usar conteúdo jornalístico de forma legal — incluindo grupos como a News Corp, em contrato que pode passar de US$ 250 milhões ao longo de cinco anos, além de acordos com Financial Times e Washington Post. O recado é duplo: conteúdo de qualidade tem valor, e quem produz começa a ter como cobrar por ele.
Por que isso importa para o seu negócio
Se você publica conteúdo — blog, e-commerce com artigos, portal de nicho — a busca com IA do Google mexe direto com o seu tráfego. Resumos gerados por IA respondem à dúvida do usuário na própria página de resultados, o que pode reduzir cliques para o seu site. A novidade britânica devolve uma escolha: aparecer nesses resumos em troca de visibilidade, ou bloquear para proteger o conteúdo e negociar.
Por enquanto, a regra vale para o Reino Unido, mas serve de termômetro. Reguladores da Europa e do Brasil acompanham o tema, e a lógica de "crédito com link" ou "pagamento por uso" tende a se espalhar. Para o pequeno empresário, fica o aprendizado: trate o seu conteúdo como ativo. Acompanhe quanto tráfego vem da busca com IA do Google, teste o bloqueio quando ele chegar ao seu país e avalie se a troca entre visibilidade e proteção compensa no seu caso.
Conteúdo reescrito e traduzido para PT pela redação luiscortex, revisado por humano.
Fonte: Sindpd-SP





